15 de mai de 2016

GALERIA DOS HIPÓCRITAS #06

Preso por bater na mulher, suplente de deputado busca habeas corpus para assumir; militante pela prisão de Lula, acabou em presídio que serve à Lava Jato

13 de maio de 2016 às 20h26
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Bertoldi em manifestação pelo impeachment em Curitiba; o exame de lesões corporais comprovou ferimentos na ex-namorada: “equimose violácea na região periorbitária esquerda”, marcas de violência no ombro direito e na coxa esquerda e “fratura de coroa do dente”.
por Luiz Carlos Azenha
O suplente de deputado federal Osmar Bertoldi, do DEM do Paraná, tentará assumir a vaga deixada pelo colega Ricardo Barros (PP-PR), indicado por Michel Temer para assumir o ministério da Saúde, apesar de preso sob acusação de agressão à ex-mulher.
Embora não tenha participado da votação do dia 17 de abril, quando a Câmara deu seguimento ao processo de impeachment contra Dilma Rousseff, uma visita à página do deputado no Facebook equivale a uma visita ao Museu da Hipocrisia.
Por isso decidimos elevá-lo à nossa galeria.
Bertoldi foi deputado estadual no Paraná por dois mandatos e candidato a prefeito de Curitiba.
Suplente de deputado federal,  atuou na Câmara entre fevereiro e maio de 2015, numa licença do colega Fernando Francischini (SD-PR), então secretário de Segurança Pública do governo Beto Richa.
Bertoldi, assim que deixou a Câmara com a volta do titular, foi acolhido por Richa no governo tucano: tornou-se diretor da Companhia de Habitação do Paraná, a Cohapar.
Isso, apesar de denunciar no Facebook: “Brasileiros que trabalham e produzem não suportam mais pagar tantos impostos pra sustentar uma máquina pública pesada e ineficiente”.
Bertoldi exercia o cargo quando foi acusado de espancar a mulher.
A TV Record registrou as denúncias de agressão depois da primeira entrevista dada por ela:
Na versão do deputado Bertoldi, houve um confronto entre ele e a mulher em 15 de agosto de 2015. Na versão de Tati Bittencourt, como é conhecida em Curitiba, foram vários dias de cárcere privado com a conivência de três funcionários de Bertoldi e de um primo dele, dono de um cartório.
O casal travou uma guerra de informações pelas redes sociais depois que a denúncia se tornou pública. A ex-mulher acusou o deputado de usar “colunistas” para difamá-la no Paraná, mas não deu detalhes. Além de falar à TV Record, ele deu entrevistas a emissoras de rádio locais.
Depois de descumprir uma decisão judicial pela qual deveria manter distância da ex-mulher, o deputado Bertoldi não foi encontrado para colocar tornezeleira eletrônica e foi considerado foragido.
Foi preso em 24 de fevereiro deste ano em balneário Camboriú e mais tarde transferido para o Complexo Médico Penal do Paraná, em Pinhais.
Ironias: Bertoldi e a ex-mulher tinham em comum o fervor da República de Curitiba pelo impeachment de Dilma e a prisão do ex-presidente Lula.
Ele, agora, está preso no mesmo presídio onde ficam alguns dos acusados na Operação Lava Jato!
Bertoldi já perdeu oportunidades anteriores de assumir a vaga, quando seus recursos foram negados. Agora, o caso está com o ministro Luis Fux. O parecer da Procuradoria Geral da República foi contrário à posse do suplente.
Se obtiver o habeas corpus pretendido, Bertoldi não terá o desconforto de, no exercício do mandato na Câmara, lidar com qualquer denúncia do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
É que o ministério foi extinto por Michel Temer.
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Bertoldi toma posse; como integrante da CPI da Petrobras, ele visitou o juiz Sérgio Moro em Curitiba
Vai vendo…
Suplente de novo ministro não pode assumir mandato de deputado… Porque está preso
13/05/2016 18h24
Por Augusto Diniz, Jornal Opção
Osmar Bertoldi (DEM-PR) é o sucessor direto do parlamentar Ricardo Barros (PP-PR), que assumiu o Ministério da Saúde na tarde de quinta-feira (12/5) ao ser nomeado por Michel Temer (PMDB)
O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) deixou na tarde de quinta-feira (12/5) seu mandato na Câmara dos Deputados ao se licenciar e assumir o Ministério da Saúde, cargo para o qual foi nomeado pelo presidente interino da República, o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Na sua primeira suplência está Osmar Bertoldi (DEM-PR). Só que seu suplente está preso e por isso não pode assumir o cargo, que deve ser ocupado por Sérgio de Oliveira (DEM-PR), segundo suplente do ministro.
Bertoldi foi preso em 24 de fevereiro deste ano, em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, ao ser denunciado à Polícia Militar de Santa Catarina e reconhecido. Desde que foi detido, o suplente do ministro da Saúde na Câmara tentou ser liberado por meio de habeas corpus, mas teve o pedido negado na terça-feira (10) pela Justiça do Paraná. Osmar Bertoldi faz parte da coligação que elegeu no Paraná o governador Beto Richa (PSDB).
Diretor da diretor da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Osmar Bertoldi estava foragido e era procurado pela Justiça desde dezembro de 2015 pela acusação dos crimes contra ele e por descumprir medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha, na qual o agressor deve manter distância da vítima.
O suplente está preso preventivamente no Complexo Médico Penal em Pinhais (PR) pelo período de cinco meses, como determinou a Justiça, pelas acusações de ter cometido os crimes de estupro, agressão e cárcere privado contra a ex-noiva. A vítima denunciou o acusado ao Ministério Público paranaense. Isso só aconteceu porque ela conseguiu fugir.
Entre as denúncias feitas pela ex-noiva, Osmar Bertoldi teria oferecido dinheiro à vítima para que ela não fizesse qualquer registro do caso na polícia ou Ministério Público. As acusações feitas contra o primeiro suplente de Ricardo Barros na Justiça tem como base a Lei Maria da Penha e o Código Penal, com informou o jornal Extra.
Em entrevista à TV Record em dezembro de 2015, a mulher relata parte dos crimes que Bertoldi teria cometido contra ela: “Me pegou pelo cabelo, me deu vários socos, me prensou no chão com os joelhos e me deu joelhada até o ponto de chutar no chão. Ele me deixou preso desde o dia da primeira agressão por seis dias, nesses dias de agressão física.” Segundo a vítima, essa agressões aconteceram assim que ela resolveu terminar o relacionamento.
As lesões nos olhos, rosto, pernas, ombros e um dente quebrado foram constados no exame realizado. Ao descumprir a medida protetiva determinada pela Justiça, ele começou a “pular o portão” da casa da vítima para chegar até ela. Foi quando uma nova decisão judicial determinou a prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Mas o acusado fugiu antes que a determinação fosse cumprida.
A vítima terminou o noivado com o político do Democratas depois de ter sido vítima dos crimes cometidos por ele. Pelo Facebook, em 21 de dezembro de 2015, o suplente de deputado federal disse que é vítima de “inverídicas acusações”.
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Esse foi a última postagem da página do suplente no Facebook.
As anteriores são, em sua maioria, ataques ao PT e a presidente afastada Dilma Rousseff (PT).
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado federal José Carlos Araujo (PR-BA) falou sobre a possível posse do primeiro suplente de Ricardo Barros e explicou que, se estiver em liberdade, Bertoldi pode assumir o mandato.
“Com a posse do ministro, vai haver o chamamento. Se ele não comparecer e responder, assume o segundo suplente. Como está preso, parece óbvio que ele não assumirá. A questão de foro privilegiado nem precisa ser discutida”, afirmou José Carlos Araujo.
De acordo com o advogado Rafael Carvalho, que representa o suplente, a vítima também teria batido no ex-noivo. “Ela agrediu ele fisicamente: socos, tapas. É do nosso conhecimento que ela luta muay thai e ele apenas se defendeu tentando acalmá-la.”
A promotora de Justiça do Paraná, Mariana Bazzo, afirmou que é importante que a mulher sempre denuncie. “A mulher mesmo, por vezes, não entende que aquela violência pode culminar na sua morte”, alertou.
Cláudio Dalledone Jr., outro advogado de Osmar Bertoldi, disse em fevereiro, quando ele foi preso, que “existe toda uma assessoria por detrás disso” e vai “denunciar um a um”. “Todos que tramaram contra Osmar Bertoldi vão sentir a forma mais severa da Justiça.”
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Bertoldi reproduziu no Facebook imagem da Globonews em que ele aparece na Câmara; a ex-mulher deu entrevista a rádios locais
Em 21 dezembro de 2015, no Facebook, Tati Bittencourt apresentou sua versão dos fatos: 
Nota pública
Tendo em conta manifestações falsas do meu ex-companheiro Osmar Stuart Bertoldi e seus amigos, nos jornais e redes sociais sobre crimes praticados por ele contra a minha pessoa, quero deixar claro:
1. Sou formada em Administração de Empresas e nada de ilegal pratico. Tenho família e sou mãe de dois filhos;
2. Eu e Osmar tivemos publicamente uma união estável, por mais de 2 anos;
3. Tivemos um desenlace traumático no qual fui vítima de uma sequência de crimes conforme denúncia do Ministério Público, perante o Juizado de Violência Doméstica de Curitiba. Para praticar esses crimes, contou Osmar com ajuda de funcionários seus (caseiro, motorista e empregada doméstica) e funcionário do dono do tabelionato Volpi de Curitiba (primo de Osmar), forjando documento público;
4. Após eu ser forçada a assinar uma escritura de “acordo”, na casa de Osmar onde fiquei em cárcere privado, fui libertada com ameaças de não procurar a polícia, pois segundo ele “com sua influência política tudo daria em nada e quem seria processada seria eu”;
5. Vencido o medo, procurei a polícia e relatei os fatos com testemunhas, fotos e laudo de lesões corporais do IML – enquanto ele, utilizando de influências políticas procurou outro distrito policial me acusando falsamente de crime, apenas para tentar me constranger;
6. Já com medida protetiva judicial em meu favor, tive a minha casa invadida por Osmar que pulou o muro e foi preso em flagrante por invasão de domicílio e descumprimento de ordem judicial;
7. Em seguida o Ministério Público pediu e a Justiça deferiu o uso de “tornozeleira eletrônica” para Osmar que se escondeu para não receber intimação;
8. Após, foi ofertada a denúncia criminal contra Osmar e seus funcionários e recebida pelo Juizado da Violência doméstica, estando o Oficial de Justiça com mandado em mãos a procura de Osmar para citação;
Enfim, sou mais uma das muitas mulheres vítimas de violência doméstica!
Quero enaltecer o trabalho da polícia, do Ministério Público e da Justiça do Paraná que foram prontos em me socorrer.
Finalizo lembrando que a versão do acusado de que eu teria tentado “obter alguma vantagem financeira”, já foi analisada e repelida pelo Ministério Público e Juiz Criminal por ser absurda e revelar apenas uma tentativa de retaliação e intimidação da minha pessoa.
Portanto Senhor Osmar: a mulher agredida e vilipendiada está errada? A polícia que investigou, provou e amparou o Ministério Público na denúncia, está errada? A sua prisão em flagrante por invasão de domicílio e desobediência de ordem judicial está errada? A denúncia criminal ofertada pelo Ministério Público do Paraná está errada? Estaria errado o Governo do Paraná que o exonerou do serviço público ao se inteirar da situação com a Segurança Pública? Somente o “Senhor agressor” está certo?
Os tempos mudaram e aconselho que todas as mulheres vítimas de crimes não se intimidem e procurem a polícia, o Ministério Público e a Justiça. O Brasil precisa mudar!
As mulheres brasileiras não precisam morrer caladas, nem ter medo.
EXISTEM LEIS E JUSTIÇA!
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Ironicamente, Bertoldi está preso no mesmo presídio onde ficam alguns dos acusados na Operação Lava Jato
Em 23 de dezembro de 2015, Tati Bittencourt escreveu:
Eu não sou culpada da agressão que sofri !
Por quanto tempo a mulher terá que conviver com o “estigma” de “culpada” pela própria agressão sofrida por seu companheiro?
Que sociedade é essa que permite que um agressor, que em muitos casos provoca a morte da mulher, justifique a violência física, moral e psicológica atribuindo culpa a vítima?
Eu tenho feito essas perguntas nos últimos dias, verdadeiramente eu tenho me questionado.
Minha decisão de denunciar meu ex-companheiro por agressão física e cárcere privado foi consumada após o Ministério Público oferecer a denúncia contra ele por todos os crimes a que fui vítima e que no entendimento da promotoria foram reais. Infelizmente só minha palavra não seria suficiente na sociedade em que vivemos, sou realista.
Suportei todo o trauma, toda a dor não só das agressões, mas das lembranças, das imagens, dos momentos finais que tive com meu ex-companheiro, na verdade meu ex-noivo, Osmar Bertoldi. Dias que tento a todo custo esquecer, mas que neste momento não podem ser enterrados.
Eu fui agredida, fui encarcerada, recebi socos, chutes, fui chamada dos piores termos imagináveis enquanto era mantida trancada em uma casa, sem acesso a ninguém, salva a exceção de pessoas da mais alta confiança do Osmar, que foram encarregados de me vigiar.
Eu não sou a única vítima desse tipo de barbaridade. Infelizmente também não fui a última. Mas o que assusta ainda mais é perceber que o meu agressor tenta me transformar em culpada.
Usando de argumentos maldosos e inverídicos, mentiras que tem por único objetivo confundir as pessoas e provocar uma maior humilhação de minha pessoa, o homem que me agrediu espalhou na imprensa e nas redes sociais que eu tentei extorquir dinheiro dele.
Usou de sua amizade com jornalistas (Colunistas) de segundo escalão, colunistas a serviço da política, profissionais que se servem, infelizmente das benesses financeiras do poder, ao invés de honrar seu compromisso social com a população, primando pela verdade e pelo contraditório, para me difamar e com essas acusações descabidas, tentar me culpar por ter sido vítima das agressões dele.
Suponhamos que eu tenha tentado extorquir dinheiro dele, o que não é verdade, mas mesmo assim suponhamos; seria essa a “brecha” social que lhe garantiria o direito de espancar uma mulher e deixá-la trancada em uma casa por cinco dias? Existe algo neste mundo que justifique o uso da violência contra qualquer pessoa? A lei, a justiça, até mesmo o diálogo; nada disso serve para que se resolvam problemas? Bater é justificável?
Foi isso o que mais me chocou nos últimos dias; uma mulher espancada e trancafiada é culpada da própria agressão sofrida? É responsável pelo próprio cativeiro? Segundo o meu agressor, sim!
Me aprofundei nos casos e percebi que isso é mais comum que se imagina. A mulher é vítima de agressão, as vezes termina morta e ainda é acusada pelo agressor de ser a culpada. O que é isso?
Eu jamais fugiria desta discussão. Durante todo o processo de investigação do caso, o Ministério Público investigou também a acusação de extorsão feita por Osmar.
Sim, eu tive que prestar esclarecimentos a justiça, antes de trazer isso hoje aqui, por isso minha serenidade. Mesmo agredida, vítima do homem que vivia ao meu lado, com todas as provas das agressões eu precisei, por um momento, dar esclarecimentos sobre acusações descabidas.
O Ministério Público investigou e concluiu aquilo que eu sempre afirmei e sigo afirmando. Nunca tentei fazer qualquer tipo de “acordo” ou pedi dinheiro ao Osmar. Inchada das agressões, com o corpo marcado por sua fúria insana e monstruosa, deixei a casa em que vivíamos e me recolhi ao seio da minha família, onde recebi apoio, carinho e comecei a me recuperar.
Neste tempo todo em que as investigações correram eu me mantive isolada, buscando um equilíbrio e tentando fugir das manipulações de meu agressor que por diversas vezes me procurou, invadiu minha casa, quebrando a medida protetiva determinada pela justiça.
Nem mesmo o uso da tornozeleira intimidou Osmar. O caso não era público e ele se sentia encorajado a me assediar e perseguir.
Agora, com o fim das investigações do Ministério Público e a denúncia formalizada á Justiça Criminal, o caso se tornou público e restou a ele seus amigos unirem forçar para espalhar uma calúnia baixa e cruel com o objetivo de inocentá-lo moralmente perante a sociedade por um crime que ele cometeu.
A dor que eu sinto pela hipocrisia e dissimulação dessas pessoas só não é maior que a dor que eu sinto no meu íntimo por ter sido derrubada a socos e chutada no chão, obrigada a dormir ao lado dele enquanto era mantida trancafiada em uma casa vigiada por capangas.
Talvez eles se sintam acima da lei a da sociedade. A política faz isso com as pessoas em muitos casos.
O Brasil ainda é um país de muitas leis e pouca moral, pouco respeito aos direitos da família, das mulheres em especial, mas agora não há como voltar atrás. Como disse anteriormente, eu não sou a única vítima dessa triste história chamada violência contra a mulher.
Não sou a única mulher e não serei a última a ser agredida, violentada e depois receber algum tipo de “pecha” como forma de defesa e justificativa dos crimes cometidos por homens desequilibrados e dissimulados.
Agradeço a Deus por estar viva, pelo meu caso não ter chego a um extremo como em muitos casos.
Se fosse o contrário, eu poderia não estar junto aos meus filhos e familiares para me defender e defende-los de acusações cruéis, afinal de contas não é incomum em caso de assassinatos de mulheres envolvendo crimes passionais o assassino acusar a mulher de ser a responsável de sua própria morte.
Agradeço a todos que tem me prestado solidariedade e asseguro que essa luta passa a ser minha. A vida quis que eu dividisse da mesma dor com milhares de mulheres e eu aceito meu destino com coragem e dignidade.
Não vou me calar e vou ajudar outras mulheres a ter voz. Eu não sou culpada da violência do meu agressor.

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