11 de dez de 2015

MODO PSDB/DEMO DE GOVERNAR.


Jovem Andreza Delgado racismo escolas SP
Semayat Oliveira, Nós Mulheres da Periferia
“Quem sofre mais com a precarização do ensino é a juventude preta e pobre”. A frase é de Andreza Delgado (foto acima), 20, estudante de Letras e educadora. Na última quinta-feira (3/12), Andreza foi presa arbitrariamente. Crime: lutar contra o fechamento em série de escolas em São Paulo.
Em sua conta no Facebook, após ser liberada pela polícia, em 4 de dezembro, a jovem relatou a violência – sempre aliada ao racismo e machismo – que sofreu nos dias encarcerada. “Fui privada do uso do banheiro, ouvi que eu era uma “macaca”, insinuações de que um dos estudantes não conseguiam me comer porque eu era cabeluda e “feminazi”, que iriam buscar uma gilete para minha “buceta”[…] Eles não conseguiam não transparecer o desejo de “raspar” e “queimar” as minhas tranças”, relatou.
A educadora, que estudou toda a sua vida em escolas públicas da cidade, vem apoiando os e as estudantes secundaristas desde o princípio das ocupações, pois considera que esta causa também é dela, enquanto cidadã e mulher negra. “Enquanto mulher negra, essa luta super me representa e enquanto cidadã também, porque se trata da precarização do ensino, da educação”.
Para ela, há um recorte de classe e geográfico muito claro dentro das discussões sobre a “reorganização” prometida pelo governo, já que quem sofre mais com a precarização do ensino é a juventude preta e pobre. A educadora aponta, no entanto, que os estudantes das periferias estão atuando de forma efetiva. “Costumam estigmatizar a periferia e a achar que a periferia não sabe fazer luta. A molecada está ocupando e auto-gerindo as escolas, com aulas de jornalismo, de ioga, horta, estão pintando e reformando as escolas”.
Ela comenta, ainda, a forma como a “grande mídia” concentra os holofotes nas escolas localizadas nas regiões centrais, não dando espaço às que estão nas bordas da cidade. “É mais “confortável” se deslocarem para gravar lá [em Pinheiros/ do que para o centro de Diadema, Mauá (localizados na Grande SP), que também tem escola ocupada, ou para o Campo Limpo ou Capão Redondo (zona sul da capital de SP)”.
“Existe uma disposição do estado para tratar as pessoas pretas e pobres de outra forma. Se eu fosse uma estudante da Universidade de São Paulo e branca, a polícia nunca ia me apalpar e dizer que ia cortar minhas tranças e me chamar de “macaca”. Existe uma disposição do estado, uma disposição racista de dar esse outro tratamento. Poxa, eu ainda fui passar por uma CDP (Centro de Detenção Provisória) e em alguns momentos ainda fui bem tratada, mas tinha gente lá fora me esperando e me observando. E quem não tem?”, questiona a jovem.
A íntegra da entrevista de Andreza Delgado pode ser vista aqui.
Vídeo:
Relato de Andrezza, que foi detida ontem e foi solta hoje de tarde. Não a violencia policial! #nãotemarrego #alutacontinua | Que vergonha, que vergonha deve ser, oprimir o estudante, pra ter o que comer!
Posted by Ocupação E. E. Fernão Dias Paes on Sexta, 4 de dezembro de 2015

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