6 de jul de 2016

QUANTO MAIS CONHEÇO O SER HUMANO,MAIS ADMIRO O MEU CACHORRO!

Pessoas capazes de espancar até a morte alguém por conta da sua orientação sexual não podem viver em sociedade. Por Jean Wyllys



RIP
RIP
Estou chocado com o assassinato de Diego Vieira Machado, estudante de arquitetura e urbanismo da UFRJ, que foi encontrado morto a pauladas dentro do campus da Universidade. Diego, que era estudante cotista, negro e gay, foi encontrado brutalmente agredido e sem as calças próximo a um córrego na Ilha do Fundão.
Não havia me posicionado até agora porque estava, junto com minha equipe, em busca de mais informações precisas, seguras e confiáveis sobre o crime. Nesses horas, em nome da justiça e da boa informação, é importante que tenhamos cuidado. Aproveito para dizer que me solidarizo com os familiares e amigos e amigas da vítima.
Pairam sobre o caso fortes suspeitas de crime motivado ou potencializado por homofobia. Além do detalhe marcante de ter sido encontrado sem a calça, que indica que o crime tinha mais do que a motivação ocasional, estudantes no alojamento denunciaram nos últimos dias o recebimento de emails com ameaças contra alunos LGBT’s e negros. A mensagem dizia claramente “sabemos quem são vocês” e “queremos vocês fora daqui”.
PUBLICIDADE
Havia também uma ameaça velada a um estudante, que se suspeita fortemente que seja Diego. Depois do episódio, pichações homofóbicas foram feitas em um dos banheiros da instituição, no campus da Praia Vermelha. Em tinta preta, foi escrita a mensagem “Morte aos gays da UFRJ”, substituída por artes de apoio à diversidade pintadas por alunas da própria UFRJ pouco antes do assassinato.
Através de minha assessoria, já entramos em contato com o Ministério Público estadual, a fim de obter uma resposta sobre um inquérito para investigar o caso. Eles prometeram atuar no caso e apurar os responsáveis. Estaremos vigilantes sobre isso. Essa violência bárbara, mais este episódio chocante, não pode ficar impune. Pessoas capazes de espancar até a morte alguém por conta da sua orientação sexual não podem conviver em sociedade.
Não nos é estranho que a situação na UFRJ seja muito similar ao último ataque fascista na UNB, orquestrado e anunciado publicamente no Facebook por grupos ligados à extrema-direita. Com bombas e até armas de choque, tais criminosos ameaçaram estudantes e professores com discursos de ódio contra a esquerda e minorias políticas.
Em outro caso ocorrido recentemente, em Minas Gerais, o estudante André Felipe Colares foi encontrado morto em festa da faculdade de medicina da Unimontes, despido, com o pescoço perfurado e olhos furados com palitos.
Portanto, temos que compreender esses fatos, inclusive a morte bárbara e cruel de Diego, dentro do amplo contexto da violência LGTBfóbica no país, e trabalhar já para reverter esse quadro inaceitável. Devemos nos unir contra a disseminação do ódio assim como contra aqueles que cometem crimes motivados por estes preconceitos.
Publicado no Facebook de Jean Wyllys.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
 
Voltar para o topo